26 de abr. de 2009

Casulo humano


Nesta última semana, em que mais um feriado de abril se passou, em que outro político demagogo realizou showmício no bairro onde moro e quando o preço da passagem conseguiu, mais uma vez, tirar o meu bom-humor, avistei um casulo humano.

Era uma manhã um pouco fria e fresca, decorrente das (por mim ansiosamente esperadas) madrugadas de outono. Ocasião em que saímos para trabalhar vestindo casaquinhos e jaquetas que nos farão “descascar” antes mesmo de chegar ao meio-dia... No Centro, com todo movimento dos transeuntes, eu, apressada (para variar, passava do meu horário), deparei-me com um grande embrulho branco jogado na calçada. Uma pessoa – repito: uma pessoa –, dormindo, inteiramente embrulhada num pano branco sujo, em posição fetal. Não parecia velho o suficiente para já entender as obrigações dos adultos; entretanto, não mais aparentava ser criança, pois demonstrava já ser um tanto crescido.

Um meio termo de pessoa, deitado em uma meia-calçada de pedras soltas, dividindo o caminho com cusparadas e a marcha apressada. Meio dormindo, meio acordado. Pela metade, assim como a vida que leva. Uma subvida.

Mas era desenvolvido e demonstrava condições físicas para descobrir-se e encarar o dia ensolarado que a todos se apresentava. Assim como uma borboleta, que abandona o casulo quando é hora de voar, quando a natureza determina que seu corpo está pronto e pode sustentar-se por conta própria. Acontece que, diferentemente da borboleta, o homem vive em sociedade. Ele tem de ser integrado, valorizado, pois depende humana e psicologicamente de seus iguais e não dormir escondido num casulo para sempre. Mesmo que queira.

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