14 de jan. de 2012
5 de dez. de 2011
Sintaxe desordenada
Há poucas semanas, experimento o verbo participar. No sentido transitivo pleno, aquele capaz de envolver todos os sujeitos. Eu participo de uns poucos, eles participam de mim e nós participamos do mundo. E assim trocamos, mas não tanto: ainda deixo a desejar na troca de predicados; fico devendo.
A participação, que antes me tangenciava, agora me acerta em cheio, como um soco na cara. Não só tenho me envolvido muito mais intensamente, como sinto a vontade alheia dos sujeitos indeterminados de participarem de mim, de descobrirem o sujeito oculto que aqui dentro se esconde. A participação efetiva, com o mesmo peso profissional e pessoal, não chega até mim na forma de sorriso. Pelo contrário: aparece sim na forma de palavras rudes, como um choque adorável de "te liga", instigando-me e requerendo minha atitude. Palavras estas às quais respondo ainda com malemolência e insegurança, temendo a quebra da dura carapaça desse coração escorpiano. Outras palavras, estas infinitamente doces e macias, me vêm como contraposição a toda a aspereza de antes. E eu as tenho aceitado e correspondido de alma surpreendentemente aberta.
Na contramão dessa sintaxe desordenada, eu, sujeito composto de inúmeras personalidades, busco um complemento, ansiando por demonstrar minha enorme capacidade de morfar. Se tivesse que traduzir o sentido etimológico do termo participação no meu dia-a-dia, certamente eu falaria em interesse. Das pessoas na minha vida, meu na vida das pessoas, e de fazermos a diferença no mundo. Para somar ao interesse, também falaria em movimento. Sim. A necessidade de marcar a significância de um ser através de seu movimento e envolvimento com o mundo.
Sinto-me inundada por pessoas que se interessam por mim, pelo meu trabalho, pelos meus defeitos e qualidades, pela minha personalidade de moleca que tantas vezes é anulada pela minha irritante mania de não abrir-me com ninguém.
Vou ser eternamente grata a essas pessoas que estão, em tempo presente, fazendo a diferença para mim. Talvez elas não façam a mínima ideia da força que têm na minha mente e no meu coração; talvez elas não durem muito tempo em minha vida. Não importa: efêmeras ou perenes, estarão sempre comigo. Chega do intransitivo.
Abraço!
A participação, que antes me tangenciava, agora me acerta em cheio, como um soco na cara. Não só tenho me envolvido muito mais intensamente, como sinto a vontade alheia dos sujeitos indeterminados de participarem de mim, de descobrirem o sujeito oculto que aqui dentro se esconde. A participação efetiva, com o mesmo peso profissional e pessoal, não chega até mim na forma de sorriso. Pelo contrário: aparece sim na forma de palavras rudes, como um choque adorável de "te liga", instigando-me e requerendo minha atitude. Palavras estas às quais respondo ainda com malemolência e insegurança, temendo a quebra da dura carapaça desse coração escorpiano. Outras palavras, estas infinitamente doces e macias, me vêm como contraposição a toda a aspereza de antes. E eu as tenho aceitado e correspondido de alma surpreendentemente aberta.
Na contramão dessa sintaxe desordenada, eu, sujeito composto de inúmeras personalidades, busco um complemento, ansiando por demonstrar minha enorme capacidade de morfar. Se tivesse que traduzir o sentido etimológico do termo participação no meu dia-a-dia, certamente eu falaria em interesse. Das pessoas na minha vida, meu na vida das pessoas, e de fazermos a diferença no mundo. Para somar ao interesse, também falaria em movimento. Sim. A necessidade de marcar a significância de um ser através de seu movimento e envolvimento com o mundo.
Sinto-me inundada por pessoas que se interessam por mim, pelo meu trabalho, pelos meus defeitos e qualidades, pela minha personalidade de moleca que tantas vezes é anulada pela minha irritante mania de não abrir-me com ninguém.
Vou ser eternamente grata a essas pessoas que estão, em tempo presente, fazendo a diferença para mim. Talvez elas não façam a mínima ideia da força que têm na minha mente e no meu coração; talvez elas não durem muito tempo em minha vida. Não importa: efêmeras ou perenes, estarão sempre comigo. Chega do intransitivo.
Abraço!
27 de set. de 2011
Vlog do Fernando
Eu reclamo mesmo. "Ai, estou muito cansada". "PQP, tem trabalho da pós para entregar". "O que eu o fulano quer de novo comigo? Me erra!". "Ciclano, faz favor, atende esse telefone e diz que eu morri...".
Depois desse vídeo, eu até não achei tão ruim ser atarefada. Acho que é até uma benção. Sinceramente, eu nunca havia pensando nisso.
Você está muito ocupado para assistir?
6 de jul. de 2011
No correr do dia...
... descobri que, para eu ser repentina e impulsiva, preciso estar 100% envolvida. Do contrário, serei absolutamente previsível: meu lado planejatrix falará mais alto.
23 de jun. de 2011
Efemeridades
Esses dias li sobre a teoria das "99 Vidas". Não cabe aqui explicar sobre o que se trata ou o que prega, vou apenas cuspir minha opinião entre um e outro dia remoído.
Se os dias nos consomem, não é porque deixamos. Com toda certeza. Não é por opção que passamos mais tempo em ambiente profissional do que em qualquer outro lugar ou com outras pessoas que amamos. O fato é que, quanto mais acumulamos compromissos cotidianos, mais acumulamo-nos diante da própria vida.
São momentos de realização e planejamentos de felicidade prorrogados a segundo, terceiro, quarto plano. São pessoas interessantes que deixamos de conhecer por estarmos ligeiramente acumulados. E, assim, passamos pelo tempo desfilando o efêmero. Concretizando não aqueles sonhos planejados com tanta dedição, mas os programas que conseguimos marcar de última hora, no calor do momento. Passamos pelo tempo desfilando sua perda.
E que valor tem o efêmero? Qual o peso da volatilidade? Relatividades à parte, em se tratando de uma tristeza passageira, quanto mais veloz ela for, menos valorizada será. Dessa forma é até melhor. Agora, vejamos um amor, daqueles intensos, avassaladores. Porém voláteis e breves. Quanto mais rápido passarem por mim, mais peso terão. Afirmo sem qualquer sombra de dúvida. Há tempos desprezo o transitório; o temporário já não mais me basta. Porque a particularidade do que é intenso e avassalador não combina com a generalidade do efêmero. Não pode simplesmente ser raso, passar batido, disfarçar-se de lugar-comum. Não, porque eu não sou assim. A onda do mar, o voo da borboleta, a bola de sabão, o arco-íris depois da chuva: ainda que sejam lindos, são apenas efemeridades, repetitivas e absolutamente previsíveis.
Busco a intensidade, o arrebatamento, o entusiasmo. Vasculho o mundo e aventuro-me a perseguir não efemeridades e, sim, efemérides. Quero deparar-me com fatos interessantes, pessoas especiais, conhecimento, inovações. Quero o detalhe que ficará preso na minha memória, o escape de olhar cúmplice que me envolverá por completo, a gentileza à qual me entregarei até o fim dos meus dias.
Se os dias nos consomem, não é porque deixamos. Com toda certeza. Não é por opção que passamos mais tempo em ambiente profissional do que em qualquer outro lugar ou com outras pessoas que amamos. O fato é que, quanto mais acumulamos compromissos cotidianos, mais acumulamo-nos diante da própria vida.
São momentos de realização e planejamentos de felicidade prorrogados a segundo, terceiro, quarto plano. São pessoas interessantes que deixamos de conhecer por estarmos ligeiramente acumulados. E, assim, passamos pelo tempo desfilando o efêmero. Concretizando não aqueles sonhos planejados com tanta dedição, mas os programas que conseguimos marcar de última hora, no calor do momento. Passamos pelo tempo desfilando sua perda.
E que valor tem o efêmero? Qual o peso da volatilidade? Relatividades à parte, em se tratando de uma tristeza passageira, quanto mais veloz ela for, menos valorizada será. Dessa forma é até melhor. Agora, vejamos um amor, daqueles intensos, avassaladores. Porém voláteis e breves. Quanto mais rápido passarem por mim, mais peso terão. Afirmo sem qualquer sombra de dúvida. Há tempos desprezo o transitório; o temporário já não mais me basta. Porque a particularidade do que é intenso e avassalador não combina com a generalidade do efêmero. Não pode simplesmente ser raso, passar batido, disfarçar-se de lugar-comum. Não, porque eu não sou assim. A onda do mar, o voo da borboleta, a bola de sabão, o arco-íris depois da chuva: ainda que sejam lindos, são apenas efemeridades, repetitivas e absolutamente previsíveis.
Busco a intensidade, o arrebatamento, o entusiasmo. Vasculho o mundo e aventuro-me a perseguir não efemeridades e, sim, efemérides. Quero deparar-me com fatos interessantes, pessoas especiais, conhecimento, inovações. Quero o detalhe que ficará preso na minha memória, o escape de olhar cúmplice que me envolverá por completo, a gentileza à qual me entregarei até o fim dos meus dias.
Efemérides, quero retê-las em mim, torná-las patrimônio do meu corpo e do meu pensamento, dignas de nunca mais serem esquecidas. Dignas de serem amadas.
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