12 de mai. de 2009

Oasis

Há uns 5m de mim, convivi durante uns 10 minutos com todos os integrantes do Oasis ontem, no Sheraton. Eu lia o Jornal do Comércio e escutava Seu Jorge no mp4. Nem tomei conhecimento da gritaria dos fãs no hall.

Pudera, ainda não me acostumei com a adrenalina de legiões de fãs... ;-)

4 de mai. de 2009

Kit amigos do planalto central

Este kit contém:
  • um boneco de vodu;
  • um CD com a música "Arma de Vingança", do finado Carlos Alexandre;
  • um exemplar do Livro das Promessas;
  • uma passagem de ônibus (só de ida) Brasília-Cafundó do Judas;
  • perfume com extrato de carrapicho
  • e lanche de coxinha de jiló e drinks de cicuta.
  • Ah, sim, e um ingresso para o 1º Desencontro dos Inimigos do Brasil.

Encomende agora o seu e use-o, nas próximas eleições, com seu político preferido.

Estevão Bertoni

Hoje eu falei com o mar

Nesse final de semana estive na praia. Dias lindos, sol, calor, pessoas queridas e novos conhecidos. Eu estava com muita disposição para não perder um só momento.
Fui até a praia, à beira da praia, de All Star e óculos escuros. Não fui pra ficar muito, mas não resisti: não nasci para pisar o solo da praia de tênis e ver o mar lá ao longe: eu preciso sentir a areia e a água gelada, sentir o sol tocando a minha pele e o cheiro da maresia me envolvendo por completo.
Fechei os olhos, descruzei os braços e respirei fundo. Aquele momento era só meu, sem medo, sem violência, sem incomodações e aborrecimentos, apenas com a mente aberta. E então, eu falei com o mar. Aspirei o ar marítimo como quem busca uma inspiração para fazer nascer no coração e no espírito, um sentimento, um pensamento, um desígnio; o amor e o companheirismo, a verdadeira amizade, o valor e a consideração das pessoas, o olhar terno. Talvez uma mera fuga da realidade. Inspirei boas energias, esperanças de um mundo melhor, força para dias nauseantes. Liberei o peso dos ombros e as preocupações do trabalho. Deixei que o ar salgado entrasse nos meus pulmões para tentar esquecer o que é ruim, para imaginar que o mundo pode sim ser muito melhor, para congelar na minha memória aquele momento e não deixar que escape mais de mim. Expirei com força para que as chatices que estavam na minha cabeça fossem embora de uma vez, junto com o que eu não tive e o que poderia ter acontecido se tivesse continuado como estava. Não quero me ocupar com isso, então, SAI, VAZA JÁ DAQUI!!!
Hoje eu falei com o mar...


"Se você pensar que tudo nessa vida passa, lembre-se de que eu passei, mas com uma vontade imensa de ter ficado".
Autor desconhecido

28 de abr. de 2009

A bandeira do Brasil

No ônibus, mais uma vez viajando nos pensamentos absurdos da minha cabeça enquanto a ida ao trabalho parece durar uma eternidade, aconteceu um fato curioso: depois de esperar na parada, sobe no coletivo mais um que se aglomera e se contorce no corredor em meio a tantos outros, imaginando inocentemente contribuir para que o movimento de sobe-e-desce flua positivamente. Eu vou sentada, dando graças por morar próximo ao fim da linha, onde consigo escolher o melhor lugar.
Um típico sujeito do subúrbio das cidades populosas, de crescimento rápido, recente e nem-um-pouco-planejado: roupa esfarrapada, cabelo desgrenhado e pele mulata. Ele estava só e ia procurando dar passagem aos demais, defendendo, categoricamente, um pequeno maço nas mãos. Só não via quem não queria: o homem tinha em suas mãos a bandeira do Brasil.
O retrato do nosso país: ônibus com gente saindo pelo ladrão, trânsito engarrafado, rostos cansados ainda no início da manhã e, o meio disso tudo, uma pessoa tão simples ostentando a nossa bandeira.
Opa! Peraí, pára tudo!!! Como assim, uma bandeira de verdade? Sim. Era de papel colorido e embrulhada num plástico. Mas era de verdade, e talvez seja a mais verdadeira e bonita que já vi, pois ia grudada ao peito, espontaneamente segurada pela mão direita, bem próximo ao coração.
Será que o pobre homem sabe o que ela significa? O que suas cores simbolizam? Sua história ou importância política? Será que ao menos sabe ler “ordem e progresso”? A julgar pelo zelo com o maço que carregava, posso apostar que sabia de tudo muito mais do que qualquer um de nós.

26 de abr. de 2009

Casulo humano


Nesta última semana, em que mais um feriado de abril se passou, em que outro político demagogo realizou showmício no bairro onde moro e quando o preço da passagem conseguiu, mais uma vez, tirar o meu bom-humor, avistei um casulo humano.

Era uma manhã um pouco fria e fresca, decorrente das (por mim ansiosamente esperadas) madrugadas de outono. Ocasião em que saímos para trabalhar vestindo casaquinhos e jaquetas que nos farão “descascar” antes mesmo de chegar ao meio-dia... No Centro, com todo movimento dos transeuntes, eu, apressada (para variar, passava do meu horário), deparei-me com um grande embrulho branco jogado na calçada. Uma pessoa – repito: uma pessoa –, dormindo, inteiramente embrulhada num pano branco sujo, em posição fetal. Não parecia velho o suficiente para já entender as obrigações dos adultos; entretanto, não mais aparentava ser criança, pois demonstrava já ser um tanto crescido.

Um meio termo de pessoa, deitado em uma meia-calçada de pedras soltas, dividindo o caminho com cusparadas e a marcha apressada. Meio dormindo, meio acordado. Pela metade, assim como a vida que leva. Uma subvida.

Mas era desenvolvido e demonstrava condições físicas para descobrir-se e encarar o dia ensolarado que a todos se apresentava. Assim como uma borboleta, que abandona o casulo quando é hora de voar, quando a natureza determina que seu corpo está pronto e pode sustentar-se por conta própria. Acontece que, diferentemente da borboleta, o homem vive em sociedade. Ele tem de ser integrado, valorizado, pois depende humana e psicologicamente de seus iguais e não dormir escondido num casulo para sempre. Mesmo que queira.